segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

whatever

não!
e por isso, nem mais e nem menos.

não!
e nem tão desfeito ou completo

não!
deixa ser o que for, doce ou azedo

não!
que seja em grito e silêncio

Deixe o transcorrer das horas
e permita o acaso: não, não..
não cale meu peito,
até se for meu último recurso,
eu me doou a dor
de viver o sentimento

Eu: antigo recém-criado retrato.

eu preciso do novo
e transpiro o gosto do velho
num baú recém-criado
de lembranças atuais.

Em um auto-recorte
imperfeito, de dor
no silêncio do meu canto
que preenche o leito
do meu rio de lágrimas.

É que sequei ao Sol te esperando
e o que vi chegar
foi um pedaço de eu
tão triste e vulgar,
largado de um carinho teu.

o corpo desfeito de solidão
e talves corri, pelo musgo
desse amor desbotado
que teimo em ver virar paixão.
... e não me impeçam, não.
porque hoje, eu fui, parti
larguei assim, de antemão
o peso da companhia
que me faltava.
Desapeguei do canto de saudade
adivinhada, da falta que
de que nem sequer chegou,
já me afligia.

Agora eu parti de mim mesma
pra atracar no vazio,
mas cá, aqui, enfim
parti
só.

distância incompreendida

Não sei a que distância estou
do eu que me desespera.
Não sei quando ando,
se me aproximo
ou me afasto.

Me preocupo em saber
se são teus olhos
que me sugam e repelem pra onde querem
ou se me prendo a eles, tragando a ti.

Mas sei que me despedaço
em quartos, terços e avos
tentando ser a metade
que possa lhe completar

Me desespero com a hora,
o carro, o vento, o passo, a chuva
e o que quer que me carregue
pra perto de tua distância.