sábado, 11 de abril de 2009

dorme ao meu lado a sua ausência.
Perto de mim, só tem sua saudade, sua saudade...

Quer ir? siga seu caminho, arrume as malas. Não deixe marcas de um amor roído, mas quem pode evitar? Eu bem entendo. Não guardarei nenhum rancor, é umas das poucas coisas de ti que não guardarei.
Então, parta. A felicidade de caminhos novos lhe esperam, e quando eu puder sair desse quarto de lembrança, eu vou tentar algum caminho.
Que nossos peitos respeitem a distância, mas se o teu quiser me achar, eu sei que vou me mostrar.
Sem medo, tens agora meu aceno de tchau, meus olhos e pernas, boca e suspiros. Cá ficarei sem agasalho e meus pedaçõs, mas me cubro com tua lembranças e é o que me bastará.
vou guardar tua saudade como se guarda a lembrança de dias bons de criança, como se guarda o cheiro de bolo feito pela vó, como se fosse o segredo da vida. E quando for a hora, vou deixar que essa saudades doída e bonita, se vá, se perca pelos corredores do esquecimento dos amores que se vão. E enfim...
Esse lugar seguro que fingimos buscar, não existiria mesmo: o grande amor é aquele que não dá certo.
O certo no amor é o erro, que cometemos em excesso, tentando não errar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

faço fácil amar/sofrer

faço oscilar meu peito
fácil assimilar o desejo.

faço pão, café e bolo
fácil que não é, aguentar teu engodo.

faço prosas, riscos, linhas tortas, palavra errada.
fácil chorar rios diante a porta, primavera encerrada.

faço, faço, re-faço, desfaço.
fácil te amar, a dor disfarço.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

sentidos

Meu sentido
falso sentido, meu.
ressentido, do que achei falso sentido.
sexto sentido que antecipa o sentido.
Poderia ser falso sentido? Mas se é real é ressentido daquilo que foi sexto.
Talves esteja ficando sem sentido.
mas eu ainda sinto.
Pra mim, 100 sentidos.
e eu não sei se vou te esquecer.
Vou seguindo minhas fantasias, aonde ainda estamos juntos, enquanto o seu cheiro vai deixando a casa. Mesmo que me desfaça do que é seu, tudo está marcado em mim. Eu ainda vejo sinto sua pele como minha. Então, está tudo em mim, não nas fotos, nos copos, lençóis, roupas, presentes, móveis...
De mim não me desfaço. De você, não.

sábado, 4 de abril de 2009

e quando vi teus olhos,
vi a luz intensa
e os meus se cegaram para o que é alheio.

domingo, 29 de março de 2009

eu estive com o medo de novo.
e saber isso dói. Dói saber que cicatrizes não são apenas marcas, meras lembranças, elas quando apertadas, mesmo que de leve.

Da onde eu estava, pensei não sentir. Mas enquanto as pessoas se iam e vinham. Enquanto todas elas encontravam seus destinos em números de ônibus, eu não achava. E embora a noite não pudesse escurecer mais, eu sentia que sim, sentia o escuro e só, apesar dos faróis de carros alucinados que passavam. Faróis de carros alucinados, loucos, loucos, eram todos assim! No frio que eu nem sei se fazia, porque o pavor me absolvia.
Quando tudo me paralisava, eu sabia como sair, eu sabia que ia sair, eu sabia sair, eu não sabia nada de mim. Ou, sabia o que não devia. Tudo me parava, um grito de socorro? de minha garganta não saia.

Dor de cabeça, muita dor.

Qual crianças quis colo, e ainda o quero. O medo me faz tão pequena, a vida me faz...

Recupero a linha reta, o equilíbrio de meus sentidos. Em algum lugar seguro, qualquer um que não aquele. Me engano de novo.
não tô bem.
corro, entre tudo que me impeede
não olho, xxxxxxx não olhei pra qualquer lado
rápido, pois a lembrança fere
por isso, o corpo fechaaado

R
E
T
R
O
C
E
D
O

escondendo o caminho.
re-vivendo cada pedaço que evito
não pensando...