Guardei um gosto na boca
meio agridoce, meio a distância e o tempo
dentro do silêncio na hora da chuva
não reconheci o sabor
e ainda assim persistiu
não consegui dizer o porquê
e talves nem queira, deixei
que tudo se perdesse na bile
do esquecimento.
Se persistir, como sempre
vou manter meus olhos fechados
era amargo o fel, era azeda a lembrança
pra respirar por dois segundos,
que parecia não ter fim a hora.
Fui me fechar nesse amargo
com tanto açúcar em volta
sem afeto pra, no café, pôr
quando o vazio me lota
Nem quis ver.
Se eu sentir que não,
aprecie o gosto do sentimento que (não) me cabe
cada sonho é sempre ilusão
e não contive o paladar:
uma dor ou mais me invade.